Evidências clínicas da eficácia da psilocibina no tratamento da depressão resistente: revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.36414/rbmc.v12i26.217Palavras-chave:
Drogas Psicodélicas, Transtorno Depressivo, AntidepressivoResumo
A depressão é um transtorno mental prevalente e incapacitante sendo considerado um problema de saúde pública. É caracterizada por humor deprimido persistente, perda de interesse em atividades diárias, alterações cognitivas e somáticas e, frequentemente, acompanhada por fadiga, alterações no sono ou no apetite. Estima-se que cerca de 20–40% dos pacientes com transtorno depressivo maior não respondam adequadamente ao tratamento farmacológico convencional, sendo classificados como portadores de depressão resistente ao tratamento (DRT). Nesse contexto, a busca por alternativas terapêuticas mais eficazes e seguras se torna fundamental. A psilocibina é um alcaloide triptamínico encontrado em cogumelos alucinógenos da espécie Psilocybe mexicana. Atua como agonista parcial dos receptores serotoninérgicos 5-HT2A no cérebro que promove alterações na percepção, no humor e no pensamento. Este trabalho objetivou avaliar na literatura a eficiência da psilocibina no tratamento da DRT. Trata-se de um estudo de revisão integrativa descritiva, realizado por meio de buscas na plataforma PubMed. As palavras-chave utilizadas foram psilocybin, psilocybin and depression, antidepressant effects. Foram identificados 742 artigos, dos quais 49 foram selecionados após leitura de títulos e resumos, sendo 10 incluídos na análise final. Os estudos analisados envolveram indivíduos maiores de 18 anos e apresentaram delineamentos variados, incluindo ensaios clínicos randomizados controlados por placebo, estudos duplo-cegos, crossover, estudos abertos e meta-análises. De modo geral, os resultados indicaram redução significativa dos escores depressivos, com resposta rápida e manutenção do efeito antidepressivo por semanas a meses após uma ou poucas administrações. Conclui-se que a psilocibina pode representar uma alternativa terapêutica promissora para a DRT. Entretanto, mais estudos sobre sua segurança, posologia, perfil de toxicidade e de interações medicamentosas são necessários.
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