Fatores associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás
DOI:
https://doi.org/10.36414/rbmc.v12i26.215Palavras-chave:
Ansiedade, Depressão, Estresse, PolíciaResumo
Esta pesquisa investigou os fatores sociodemográficos e ocupacionais associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do Comando de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO). O estudo teve desenho quantitativo e transversal, utilizando questionário sociodemográfico e ocupacional, bem como a escala (DASS-21), distribuídos a todos os policiais militares do CME, de forma online via Sistema Eletrônico de Informações (Sei! Goiás), no período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, sendo respondido por 229 policiais. Os dados analisados evidenciam que diversos fatores ocupacionais impactam significativamente os níveis de ansiedade, estresse e depressão dos policiais militares desse comando, entre eles: o ambiente de trabalho, a percepção de risco à saúde, a relação com superiores hierárquicos e a falta de ações institucionais voltadas à saúde mental se destacam como variáveis críticas para a saúde psicológica dos profissionais entrevistados. No que se refere a fatores associados, as doenças crônicas e psiquiátricas diagnosticadas, poucas horas de sono (menos de 7 horas de sono) e uso de substâncias que possam alterar o sono, estão em maior evidência. No teste de correlação de Spearman identificou-se com significância estatística uma correlação positiva entre ansiedade e depressão (rho=0,659; p<0,0001), ansiedade e estresse (rho=0,728; p<0,0001), estresse e depressão (rho=0,814; p<0,0001).Os resultados reforçam a necessidade de intervenções psicológicas e institucionais voltadas à saúde mental dos policiais militares. Medidas como programas de gestão do estresse, acompanhamento psicológico e apoio social são fundamentais para mitigar os impactos negativos das condições ocupacionais adversas. Além disso, o desenvolvimento de políticas de prevenção, incluindo treinamento para reconhecimento precoce de sintomas e intervenção psicossocial, pode contribuir significativamente para a redução dos índices de transtornos mentais na corporação.
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